O Ministério da Educação e o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) prorrogaram as inscrições do Enem, que se encerrariam nesta sexta-feira, dia 9, para o próximo dia 16, sexta-feira, às 23h59. A decisão foi tomada pelo presidente do Inep, Joaquim Neto, que atendeu à solicitação dos governadores de Pernambuco, Eduardo Campos, e de Alagoas, Teotônio Villela. Os dois governadores do Nordeste, preocupados com o impacto das chuvas e das enchentes, fizeram o pedido ao secretário executivo do MEC, Henrique Paim, que percorre a região devastada, à frente de um grupo que estuda a reconstrução das escolas destruídas. Quem ainda não fez sua inscrição tem agora mais sete dias para fazê-la, apenas pela internet, no portal www.enem.inep.gov.br. O valor da inscrição é de R$ 35, mas estão isentos os estudantes da última série do ensino médio em escolas públicas e os que que comprovem a impossibilidade de pagamento preenchendo declaração de carência. É fundamental estar munido de CPF e RG próprios, como documentos de identificação. As provas serão realizadas nos dias 6 e 7 de novembro.
Assessoria de Imprensa do Inep/MEC
sexta-feira, 9 de julho de 2010
segunda-feira, 21 de junho de 2010
Trinta anos sem Wilson Pinheiro
www.ac24horas.com
Seg, 21 de Junho de 2010 14:51
Nenhum mandante no banco dos réus, nenhuma nota do partido do qual foi um dos fundadores e agora mergulhado na campanha sucessória. Até meio-dia deste 21 de junho de 2010, os 30 anos do assassinato do líder sindicalista Wilson Pinheiro passam quase em silêncio.
Pinheiro foi morto em 21 de junho de 1980 com um tiro na nuca, pelas costas, a mando de latifundiários. Estava reunido numa sala, com outros dirigentes do Sindicato de Trabalhadores Rurais de Brasiléia, no Acre. Além de presidente do sindicato, também presidia a Comissão Municipal do PT.
Para a compreensão da história de resistência acreana e amazônica, há diversos relatos minuciosos, cada vez mais vivos, na rede mundial de computadores...
Pinheiro não era acreano, mas um amazonense. Em estudo publicado pela Fundação Perseu Abramo, o professor Francisco Dandão Pinheiro, da Pontifícia Universidade Católica (PUC) em São Paulo, escreve:
”Uma casa de madeira sem pintura, em frente à pequena igreja da cidade, abrigava o Sindicato dos Trabalhadores Rurais local. Ali o trabalho era sempre maior do que o número de funcionários e voluntários para fazê-lo. O presidente, um homem alto, pele queimada pelo sol, mãos calejadas pelo ofício de seringueiro desde os primeiros anos de vida, apreciador de cigarros fortes, incansável na sua faina despedia-se de dois companheiros e resolvia ficar mais um pouco, para resolver alguns assuntos pendentes.
“Estava jurado de morte por fazendeiros da região, mas não dava muita atenção para as ameaças. Sentia-se seguro no seu ambiente de trabalho. Meia hora depois, a confiança de que nada poderia acontecer-lhe mostrava-se vã. De costas para a rua, olhando distraidamente para um aparelho de televisão, enquanto arrumava uns últimos papéis, sentiu a dor súbita de projéteis entrando pelo corpo.
“O silêncio de Brasiléia foi quebrado por quatro tiros. Wilson Pinheiro tombava sem vida. O movimento seringueiro acreano perdia o seu primeiro grande líder. E se desencadeava, imediatamente, uma onda de violência que iria, oito anos mais tarde, mudar a história das relações entre homem e meio ambiente no Brasil”.
MONTEZUMA CRUZ
Seg, 21 de Junho de 2010 14:51
Nenhum mandante no banco dos réus, nenhuma nota do partido do qual foi um dos fundadores e agora mergulhado na campanha sucessória. Até meio-dia deste 21 de junho de 2010, os 30 anos do assassinato do líder sindicalista Wilson Pinheiro passam quase em silêncio.
Pinheiro foi morto em 21 de junho de 1980 com um tiro na nuca, pelas costas, a mando de latifundiários. Estava reunido numa sala, com outros dirigentes do Sindicato de Trabalhadores Rurais de Brasiléia, no Acre. Além de presidente do sindicato, também presidia a Comissão Municipal do PT.
Para a compreensão da história de resistência acreana e amazônica, há diversos relatos minuciosos, cada vez mais vivos, na rede mundial de computadores...
Pinheiro não era acreano, mas um amazonense. Em estudo publicado pela Fundação Perseu Abramo, o professor Francisco Dandão Pinheiro, da Pontifícia Universidade Católica (PUC) em São Paulo, escreve:
”Uma casa de madeira sem pintura, em frente à pequena igreja da cidade, abrigava o Sindicato dos Trabalhadores Rurais local. Ali o trabalho era sempre maior do que o número de funcionários e voluntários para fazê-lo. O presidente, um homem alto, pele queimada pelo sol, mãos calejadas pelo ofício de seringueiro desde os primeiros anos de vida, apreciador de cigarros fortes, incansável na sua faina despedia-se de dois companheiros e resolvia ficar mais um pouco, para resolver alguns assuntos pendentes.
“Estava jurado de morte por fazendeiros da região, mas não dava muita atenção para as ameaças. Sentia-se seguro no seu ambiente de trabalho. Meia hora depois, a confiança de que nada poderia acontecer-lhe mostrava-se vã. De costas para a rua, olhando distraidamente para um aparelho de televisão, enquanto arrumava uns últimos papéis, sentiu a dor súbita de projéteis entrando pelo corpo.
“O silêncio de Brasiléia foi quebrado por quatro tiros. Wilson Pinheiro tombava sem vida. O movimento seringueiro acreano perdia o seu primeiro grande líder. E se desencadeava, imediatamente, uma onda de violência que iria, oito anos mais tarde, mudar a história das relações entre homem e meio ambiente no Brasil”.
MONTEZUMA CRUZ
sexta-feira, 11 de junho de 2010
Religião x Espiritualidade
Uma parte dos atletas, entre eles, Robinho, Neymar, Ganso e Fabio Costa, se recusou a entrar numa entidade que cuida de excepcionais mantida por uma casa espírita, e preferiu ficar dentro do ônibus do clube, sob a alegação que são evangélicos.
Os meninos da Vila pisaram na bola. Mas prefiro sair em sua defesa. Eles não erraram sozinhos. Fizeram a cabeça deles. O mundo religioso é mestre em fazer a cabeça dos outros. Por isso cada vez mais me convenço que o Cristianismo implica a superação da religião, e cada vez mais me dedico a pensar nas categorias da espiritualidade, em detrimento das categorias da religião.
A religião está baseada nos ritos, dogmas e credos, tabus e códigos morais de cada tradição de fé. A espiritualidade está fundamentada nos conteúdos universais de todas e cada uma das tradições de fé.
Quando você começa a discutir quem vai para o céu e quem vai para o inferno, ou se Deus é a favor ou contra à prática do homossexualismo, ou mesmo se você tem que subir uma escada de joelhos ou dar o dízimo na igreja para alcançar o favor de Deus, você está discutindo religião. Quando você começa a discutir se o correto é a reencarnação ou a ressurreição, a teoria de Darwin ou a narrativa do Gênesis, e se o livro certo é a Bíblia ou o Corão, você está discutindo religião. Quando você fica perguntando se a instituição social é espírita kardecista, evangélica, ou católica, você está discutindo religião.
O problema é que toda vez que você discute religião você afasta as pessoas umas das outras, promove o sectarismo e a intolerância. A religião coloca de um lado os adoradores de Allá, de outro os adoradores de Yahweh, e de outro os adoradores de Jesus. Isso sem falar nos adoradores de Shiva, de Krishna e devotos do Buda, e por aí vai. E cada grupo de adoradores deseja a extinção dos outros, ou pela conversão à sua religião, o que faz com que os outros deixam de existir enquanto outros e se tornem iguais a nós, ou pelo extermínio através do assassinato em nome de Deus, ou melhor, em nome de um deus, com d minúsculo, isto é, um ídolo que pretende se passar por Deus.
Mas quando você concentra sua atenção e ação, sua práxis, em valores como reconciliação, perdão, misericórdia, compaixão, solidariedade, amor e caridade, você está no horizonte da espiritualidade, comum a todas as tradições religiosas. E quando você está com o coração cheio de espiritualidade, e não de religião, você promove a justiça e a paz. Os valores espirituais agregam pessoas, aproxima os diferentes, faz com que os discordantes no mundo das crenças se dêem as mãos no mundo da busca de superação do sofrimento humano, que a todos nós humilha e iguala, independentemente de raça, gênero, e inclusive religião.
Em síntese, quando você vive no mundo da religião, você fica no ônibus. Quando você vive no mundo da espiritualidade que a sua religião ensina – ou pelo menos deveria ensinar, você desce do ônibus e dá um ovo de páscoa para uma criança que sofre a tragédia e miséria de uma paralisia mental.
Autor desconhecido
Os meninos da Vila pisaram na bola. Mas prefiro sair em sua defesa. Eles não erraram sozinhos. Fizeram a cabeça deles. O mundo religioso é mestre em fazer a cabeça dos outros. Por isso cada vez mais me convenço que o Cristianismo implica a superação da religião, e cada vez mais me dedico a pensar nas categorias da espiritualidade, em detrimento das categorias da religião.
A religião está baseada nos ritos, dogmas e credos, tabus e códigos morais de cada tradição de fé. A espiritualidade está fundamentada nos conteúdos universais de todas e cada uma das tradições de fé.
Quando você começa a discutir quem vai para o céu e quem vai para o inferno, ou se Deus é a favor ou contra à prática do homossexualismo, ou mesmo se você tem que subir uma escada de joelhos ou dar o dízimo na igreja para alcançar o favor de Deus, você está discutindo religião. Quando você começa a discutir se o correto é a reencarnação ou a ressurreição, a teoria de Darwin ou a narrativa do Gênesis, e se o livro certo é a Bíblia ou o Corão, você está discutindo religião. Quando você fica perguntando se a instituição social é espírita kardecista, evangélica, ou católica, você está discutindo religião.
O problema é que toda vez que você discute religião você afasta as pessoas umas das outras, promove o sectarismo e a intolerância. A religião coloca de um lado os adoradores de Allá, de outro os adoradores de Yahweh, e de outro os adoradores de Jesus. Isso sem falar nos adoradores de Shiva, de Krishna e devotos do Buda, e por aí vai. E cada grupo de adoradores deseja a extinção dos outros, ou pela conversão à sua religião, o que faz com que os outros deixam de existir enquanto outros e se tornem iguais a nós, ou pelo extermínio através do assassinato em nome de Deus, ou melhor, em nome de um deus, com d minúsculo, isto é, um ídolo que pretende se passar por Deus.
Mas quando você concentra sua atenção e ação, sua práxis, em valores como reconciliação, perdão, misericórdia, compaixão, solidariedade, amor e caridade, você está no horizonte da espiritualidade, comum a todas as tradições religiosas. E quando você está com o coração cheio de espiritualidade, e não de religião, você promove a justiça e a paz. Os valores espirituais agregam pessoas, aproxima os diferentes, faz com que os discordantes no mundo das crenças se dêem as mãos no mundo da busca de superação do sofrimento humano, que a todos nós humilha e iguala, independentemente de raça, gênero, e inclusive religião.
Em síntese, quando você vive no mundo da religião, você fica no ônibus. Quando você vive no mundo da espiritualidade que a sua religião ensina – ou pelo menos deveria ensinar, você desce do ônibus e dá um ovo de páscoa para uma criança que sofre a tragédia e miséria de uma paralisia mental.
Autor desconhecido
sábado, 22 de maio de 2010
Sábado sim, sábado sim também. Além de toda semana, todo dia, mês, etc
Vida de educador é um sacrifício mesmo.
Passei o dia inteiro planejando com nossos professores. Boas companhias. Porém já os vejo a semana inteira.
Planejamos com os mesmos sobre projetos de ensino e de aprendizagem. Foi muito bom.
Mas uma coisa me incomodou o dia inteiro, não pude estar com minha filha Rebeca, que está fazendo 10 aninhos.
Tenho me dedicado nestes mais de seis anos a escola. Não me arrependo, pois transformamos a João Mariano numa das melhores escolas do Acre: vide índices de IDEB e do SEAP. Agradeço isso a minha equipe que dificilmente me deixa na mão.
Entretanto hoje tudo isso me fez mal. Não passar com a Bequinha não me fez bem.
Desculpa princesinha. Te amo
Passei o dia inteiro planejando com nossos professores. Boas companhias. Porém já os vejo a semana inteira.
Planejamos com os mesmos sobre projetos de ensino e de aprendizagem. Foi muito bom.
Mas uma coisa me incomodou o dia inteiro, não pude estar com minha filha Rebeca, que está fazendo 10 aninhos.
Tenho me dedicado nestes mais de seis anos a escola. Não me arrependo, pois transformamos a João Mariano numa das melhores escolas do Acre: vide índices de IDEB e do SEAP. Agradeço isso a minha equipe que dificilmente me deixa na mão.
Entretanto hoje tudo isso me fez mal. Não passar com a Bequinha não me fez bem.
Desculpa princesinha. Te amo
sexta-feira, 21 de maio de 2010
Brasil, o Diap e o zero à esquerda
Achei muito interessante este artigo e resolvi transcrevê-lo no nosso blog. O crédito esta no final dele. Leiam.
Numa das definições mais precisas para o “zero” que logo vamos abordar, seja de Afif, Alckmin ou Serra, o “Aurélio” fala de “pessoa ou coisa sem valor ou préstimo”, cuja nulidade pode ainda ser descrita como “zero à esquerda”.
Passados cem anos do nascimento de Aurélio Buarque de Holanda, autor do excelente dicionário, ainda está para ser escrito termo mais exato para o comportamento de parlamentares ou governantes que traem o acordo firmado com seus eleitores. Ainda mais, quando envolvem aspectos essenciais para o desenvolvimento e a soberania nacional, como o petróleo e a energia, ou a defesa dos direitos da classe trabalhadora, expressos na Constituição Cidadã de 1988.
Infelizmente, tal “traição” está longe de ser um paradoxo como foi a descoberta do zero, que quantificava a representação do nada, do inexistente. Ela somente revela, conforme o nosso dicionário de referência, “crime de quem, perfidamente entrega, denúncia ou vende alguém ou alguma coisa ao inimigo”.
Ao ser questionado recentemente por um programa de TV sobre a nota “zero” que recebeu do Diap (Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar), quando era deputado-constituinte, no final dos anos 80, Guilherme Afif Domingos, atualmente candidato a vice-governador na chapa de Geraldo Alckmin, foi taxativo: “O Diap é um órgão fascista”.
A histeria contra quem congrega e presta serviços para mais de 900 entidades sindicais de trabalhadores, como centrais, confederações, sindicatos e associações, faz sentido. Em vez de se calar diante do poder financeiro, como a imprensa venal, o Diap informou que na Constituinte, Afif “certamente contrariou seu eleitorado. Votou contra a proteção da empresa nacional e disse não à nacionalização das reservas minerais. Absteve-se quanto à licença-paternidade, mas não teve dúvidas em apoiar a UDR, votando contra a reforma agrária. Disse não ao direito de voto aos 16 anos e votou contra o tabelamento de juros”. Para completar, “foi a favor da comercialização de sangue humano ao votar contra a emenda que vedava a mercantilização de órgãos, tecidos e substâncias humanas para fins de transplantes, pesquisa e tratamento, bem como a coleta, processamento e transfusão de sangue e seus derivados”.
A “resposta” de Afif foi, portanto, digna de um sem argumentos, como recorda o site da Agência Sindical, pois “quem fez a fama – no caso, má fama – de Afif foi um livro de quase 700 páginas, onde, na de número 579, fica-se conhecendo o comportamento do então liberal na votação de matérias de interesse dos trabalhadores, como direito de greve, Piso salarial, jornada de 40 horas, entre outros. Foi assim: zero no primeiro turno da Constituinte; zero no segundo turno; e zero na média final”.
Na página 621 do mesmo livro, os votos de José Serra, “média 3,75”, atual candidato de demos e tucanos à Presidência: 1) contra o monopólio nacional da distribuição do petróleo; 2) contra garantias ao trabalhador de estabilidade no emprego; 3) contra a redução da jornada de trabalho para 40 horas; 4) contra a implantação de Comissão de Fábrica nas indústrias; 5) negou seu voto pelo direito de greve; 6) negou seu voto pelo abono de férias de 1/3 do salário; 7) negou seu voto pelo aviso prévio proporcional; 8) negou seu voto pela estabilidade do dirigente sindical; 9) negou seu voto para garantir 30 dias de aviso prévio; 10) negou seu voto pela garantia do salário mínimo real. Nem é preciso falar sobre a prática de Serra como governador de São Paulo, pois aí seria covardia. O arrocho salarial e a repressão e perseguição ao funcionalismo, a desvalorização e desmantelamento da escola pública, o alastramento dos pedágios o furor privatizante falam por si.
Embora tenha conseguido passar raspando em 1988, nota 7 do Diap, Geraldo Alckmin logo resolveu se desculpar com a direita, passando a abraçar as teses mais reacionárias e entreguistas, das quais tornou-se um ardoroso e fiel defensor. O macacão com o logo das estatais, que vestiu no embate contra Lula em 2002, só estampou o que todos já sabiam. Como ex-presidente do Programa Estadual de Desestatização do governo estadual e posteriormente desgovernador de São Paulo, é um dos grandes responsáveis, junto com Fernando Henrique Cardoso, pela desnacionalização do setor energético paulista, entregue a multinacionais norte-americanas, como a AES-Eletropaulo, ou aos colombianos da ISA, que abocanharam a Companhia de Transmissão de Energia Elétrica Paulista (CTEEP). O resultado a população paulista está sentindo na pele: apagões, aumento de tarifas, precarização e multiplicação dos acidentes.
Moral da história: zero elevado a qualquer número é sempre zero!
*Vice-presidente da CUT-SP
Numa das definições mais precisas para o “zero” que logo vamos abordar, seja de Afif, Alckmin ou Serra, o “Aurélio” fala de “pessoa ou coisa sem valor ou préstimo”, cuja nulidade pode ainda ser descrita como “zero à esquerda”.
Passados cem anos do nascimento de Aurélio Buarque de Holanda, autor do excelente dicionário, ainda está para ser escrito termo mais exato para o comportamento de parlamentares ou governantes que traem o acordo firmado com seus eleitores. Ainda mais, quando envolvem aspectos essenciais para o desenvolvimento e a soberania nacional, como o petróleo e a energia, ou a defesa dos direitos da classe trabalhadora, expressos na Constituição Cidadã de 1988.
Infelizmente, tal “traição” está longe de ser um paradoxo como foi a descoberta do zero, que quantificava a representação do nada, do inexistente. Ela somente revela, conforme o nosso dicionário de referência, “crime de quem, perfidamente entrega, denúncia ou vende alguém ou alguma coisa ao inimigo”.
Ao ser questionado recentemente por um programa de TV sobre a nota “zero” que recebeu do Diap (Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar), quando era deputado-constituinte, no final dos anos 80, Guilherme Afif Domingos, atualmente candidato a vice-governador na chapa de Geraldo Alckmin, foi taxativo: “O Diap é um órgão fascista”.
A histeria contra quem congrega e presta serviços para mais de 900 entidades sindicais de trabalhadores, como centrais, confederações, sindicatos e associações, faz sentido. Em vez de se calar diante do poder financeiro, como a imprensa venal, o Diap informou que na Constituinte, Afif “certamente contrariou seu eleitorado. Votou contra a proteção da empresa nacional e disse não à nacionalização das reservas minerais. Absteve-se quanto à licença-paternidade, mas não teve dúvidas em apoiar a UDR, votando contra a reforma agrária. Disse não ao direito de voto aos 16 anos e votou contra o tabelamento de juros”. Para completar, “foi a favor da comercialização de sangue humano ao votar contra a emenda que vedava a mercantilização de órgãos, tecidos e substâncias humanas para fins de transplantes, pesquisa e tratamento, bem como a coleta, processamento e transfusão de sangue e seus derivados”.
A “resposta” de Afif foi, portanto, digna de um sem argumentos, como recorda o site da Agência Sindical, pois “quem fez a fama – no caso, má fama – de Afif foi um livro de quase 700 páginas, onde, na de número 579, fica-se conhecendo o comportamento do então liberal na votação de matérias de interesse dos trabalhadores, como direito de greve, Piso salarial, jornada de 40 horas, entre outros. Foi assim: zero no primeiro turno da Constituinte; zero no segundo turno; e zero na média final”.
Na página 621 do mesmo livro, os votos de José Serra, “média 3,75”, atual candidato de demos e tucanos à Presidência: 1) contra o monopólio nacional da distribuição do petróleo; 2) contra garantias ao trabalhador de estabilidade no emprego; 3) contra a redução da jornada de trabalho para 40 horas; 4) contra a implantação de Comissão de Fábrica nas indústrias; 5) negou seu voto pelo direito de greve; 6) negou seu voto pelo abono de férias de 1/3 do salário; 7) negou seu voto pelo aviso prévio proporcional; 8) negou seu voto pela estabilidade do dirigente sindical; 9) negou seu voto para garantir 30 dias de aviso prévio; 10) negou seu voto pela garantia do salário mínimo real. Nem é preciso falar sobre a prática de Serra como governador de São Paulo, pois aí seria covardia. O arrocho salarial e a repressão e perseguição ao funcionalismo, a desvalorização e desmantelamento da escola pública, o alastramento dos pedágios o furor privatizante falam por si.
Embora tenha conseguido passar raspando em 1988, nota 7 do Diap, Geraldo Alckmin logo resolveu se desculpar com a direita, passando a abraçar as teses mais reacionárias e entreguistas, das quais tornou-se um ardoroso e fiel defensor. O macacão com o logo das estatais, que vestiu no embate contra Lula em 2002, só estampou o que todos já sabiam. Como ex-presidente do Programa Estadual de Desestatização do governo estadual e posteriormente desgovernador de São Paulo, é um dos grandes responsáveis, junto com Fernando Henrique Cardoso, pela desnacionalização do setor energético paulista, entregue a multinacionais norte-americanas, como a AES-Eletropaulo, ou aos colombianos da ISA, que abocanharam a Companhia de Transmissão de Energia Elétrica Paulista (CTEEP). O resultado a população paulista está sentindo na pele: apagões, aumento de tarifas, precarização e multiplicação dos acidentes.
Moral da história: zero elevado a qualquer número é sempre zero!
*Vice-presidente da CUT-SP
quarta-feira, 31 de março de 2010
Ao sair do ministério, Dilma chora
A pré-candidata à Presidência da República pelo PT, Dilma Rousseff, se emocionou ao fazer o discurso de despedida do Ministério da Casa Civil nesta quarta-feira (31) em uma cerimônia no Palácio do Itamaraty, em Brasília. "Nós somos companheiros de uma jornada, de uma missão. Uma missão especial, uma alegre melancolia, ou uma alegria triste. Nós saímos de um governo, que nós consideramos que mais fez pelo povo deste país, e nós o abandonamos hoje", avaliou Dilma, que proferiu o primeiro discurso do evento, com voz embargada.
"Não somos aqueles que estão dizendo 'adeus', somos aqueles que estão dizendo 'até breve'. Sob a sua inspiração de quem fez tanto, estamos prontos para fazer mais e melhor", disse a agora ex-ministra. "Nos orgulhamos de ter participado do seu governo. Não importa perguntar porque alguns não têm orgulho dos governos de que participaram. Eles devem ter seus motivos. Mas nós temos patrimônio, fizemos parte da era Lula. Vamos carregar essa história e levá-la para os nossos netos", afirmou Dilma, que ainda atacou os críticos do governo, dizendo que estes "não sabem o que oferecer a um povo orgulhoso".
O evento teve início com a assinatura dos termos de posse dos 10 novos ministros pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Os sucessores irão ocupar as vagas dos titulares que concorrem às eleições em outubro. O prazo para a desincompatibilização terminava nesta semana.
Reinhold Stephanes saiu do Ministério da Agricultura para concorrer a deputado federal pelo PMDB no Paraná. Em seu lugar, entrou o presidente da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), Wagner Rossi. Na Casa Civil, como já era esperado, quem assume o lugar de Dilma é a secretária-executiva da pasta, Erenice Guerra.
O sucessor do ministro das Comunicações, Hélio Costa, será o secretário-executivo do ministério, José Arthur Filardi. A saída de Costa confronta a do ministro do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Patrus Ananias. Ambos pretendem concorrer ao governo de Minas Gerais. Na pasta que pertencia a Patrus, ficará Márcia Lopes, ex-secretária-executiva.
Do ministério da Igualdade Racial, Edson Santos vai tentar se candidatar à Câmara dos Deputados pelo PT do Rio de Janeiro. Em seu lugar, toma posse o secretário-adjunto Eloi Ferreira de Araújo. Geddel Vieira Lima, da Integração Nacional, se candidatará ao governo da Bahia. O secretário-executivo da pasta, João Santana Filho, assume.
No Ministério do Meio Ambiente, Carlos Minc será sucedido pela secretária-executiva Izabella Teixeira. Minc tentará uma vaga na Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro. Edison Lobão sai do Ministério de Minas e Energia e toma posse o secretário-executivo Márcio Zimmerman. Lobão volta ao Senado.
Na Previdência Social, sai José Pimentel – que tentará vaga no Senado – e entra o secretário-executivo Carlos Eduardo Gabas. Já na pasta dos Transportes, Alfredo Nascimento dá lugar ao secretário-executivo Paulo Sérgio Passos. Nascimento tentará ser eleito governador de Amazonas. Agência Folha
"Não somos aqueles que estão dizendo 'adeus', somos aqueles que estão dizendo 'até breve'. Sob a sua inspiração de quem fez tanto, estamos prontos para fazer mais e melhor", disse a agora ex-ministra. "Nos orgulhamos de ter participado do seu governo. Não importa perguntar porque alguns não têm orgulho dos governos de que participaram. Eles devem ter seus motivos. Mas nós temos patrimônio, fizemos parte da era Lula. Vamos carregar essa história e levá-la para os nossos netos", afirmou Dilma, que ainda atacou os críticos do governo, dizendo que estes "não sabem o que oferecer a um povo orgulhoso".
O evento teve início com a assinatura dos termos de posse dos 10 novos ministros pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Os sucessores irão ocupar as vagas dos titulares que concorrem às eleições em outubro. O prazo para a desincompatibilização terminava nesta semana.
Reinhold Stephanes saiu do Ministério da Agricultura para concorrer a deputado federal pelo PMDB no Paraná. Em seu lugar, entrou o presidente da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), Wagner Rossi. Na Casa Civil, como já era esperado, quem assume o lugar de Dilma é a secretária-executiva da pasta, Erenice Guerra.
O sucessor do ministro das Comunicações, Hélio Costa, será o secretário-executivo do ministério, José Arthur Filardi. A saída de Costa confronta a do ministro do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Patrus Ananias. Ambos pretendem concorrer ao governo de Minas Gerais. Na pasta que pertencia a Patrus, ficará Márcia Lopes, ex-secretária-executiva.
Do ministério da Igualdade Racial, Edson Santos vai tentar se candidatar à Câmara dos Deputados pelo PT do Rio de Janeiro. Em seu lugar, toma posse o secretário-adjunto Eloi Ferreira de Araújo. Geddel Vieira Lima, da Integração Nacional, se candidatará ao governo da Bahia. O secretário-executivo da pasta, João Santana Filho, assume.
No Ministério do Meio Ambiente, Carlos Minc será sucedido pela secretária-executiva Izabella Teixeira. Minc tentará uma vaga na Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro. Edison Lobão sai do Ministério de Minas e Energia e toma posse o secretário-executivo Márcio Zimmerman. Lobão volta ao Senado.
Na Previdência Social, sai José Pimentel – que tentará vaga no Senado – e entra o secretário-executivo Carlos Eduardo Gabas. Já na pasta dos Transportes, Alfredo Nascimento dá lugar ao secretário-executivo Paulo Sérgio Passos. Nascimento tentará ser eleito governador de Amazonas. Agência Folha
segunda-feira, 8 de março de 2010
Professores da rede de ensino estadual de SP aprovam greve

Cerca de mil professores da rede de ensino estadual de São Paulo reunidos nesta sexta-feira, 5, em assembleia, aprovaram entrar em greve na próxima segunda-feira. Sem reajuste salarial desde 2005, a categoria reivindica reposição de 34,3%.
Segundo o Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp), durante as negociações não houve acordo com o Governo, que não ofereceu nenhuma contraproposta.
Atualmente, um professor de 1ª a 4ª série do Ensino Fundamental tem salário-base de R$ 785,50, na jornada de 24 horas semanais. Para o corpo docente que leciona de 5ª a 8ª série e no Ensino Médio, o salário-base é R$ 909,32. O último reajuste foi de 15%.
A classe fará nova assembleia para avaliar a continuidade da greve na sexta-feira, 12. Hoje, os manifestantes se reuniram às 15 horas na Praça da República, no centro da cidade. Duas horas depois, os professores ainda permaneciam no local.
Segundo a Polícia Militar, o protesto dos professores foi pacífico e não interferiu no trânsito. Eles ficaram concentrados em frente ao prédio da Secretaria da Educação. A rede pública de São Paulo possui aproxidamente 5 milhões de alunos, mas a Secretaria da Educação de São Paulo esclarece que nem todos serão afetados. Agência Estado
Segundo o Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp), durante as negociações não houve acordo com o Governo, que não ofereceu nenhuma contraproposta.
Atualmente, um professor de 1ª a 4ª série do Ensino Fundamental tem salário-base de R$ 785,50, na jornada de 24 horas semanais. Para o corpo docente que leciona de 5ª a 8ª série e no Ensino Médio, o salário-base é R$ 909,32. O último reajuste foi de 15%.
A classe fará nova assembleia para avaliar a continuidade da greve na sexta-feira, 12. Hoje, os manifestantes se reuniram às 15 horas na Praça da República, no centro da cidade. Duas horas depois, os professores ainda permaneciam no local.
Segundo a Polícia Militar, o protesto dos professores foi pacífico e não interferiu no trânsito. Eles ficaram concentrados em frente ao prédio da Secretaria da Educação. A rede pública de São Paulo possui aproxidamente 5 milhões de alunos, mas a Secretaria da Educação de São Paulo esclarece que nem todos serão afetados. Agência Estado
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