segunda-feira, 31 de março de 2014

A Avaliação da Aprendizagem nos dias de Hoje

Autor: Cássia Ravena Mulin de Assis Medel
Um educador motivado pela vocação, forma alunos motivados pelo senso de organização.
Criança na escola
A dúvida é algo natural que deve ser estimulada. O bom docente sabe usá-la em benefício do aluno, e de si mesmo...
Nos dias de hoje, a avaliação da aprendizagem não é algo meramente técnico. Envolve auto-estima, respeito à vivência e cultura própria do indivíduo, filosofia de vida, sentimentos e posicionamento político. Embora essas dimensões não sejam perceptíveis a todos os professores, observa-se, por exemplo, que um professor que usa o erro do aluno como ponto inicial para compreender o raciocínio desse educando e rever sua prática docente, e, se necessário, reformulá-la, possui uma posição bem diversa daquele que apenas atribui zero àquela questão e continua dando suas aulas da mesma maneira.

Do mesmo modo, o educador que faz uso de instrumentos de avaliação diversos para, ao longo de um período, acompanhar o ensino-aprendizagem, é diferente daquele que se restringe a dar uma prova ao final do período.

Segundo Canen (2001), Gandin (1995) e Luckesi (1996), a avaliação é um julgamento sobre uma realidade concreta ou sobre uma prática, à luz de critérios claros, estabelecidos prévia ou concomitantemente, para tomada de decisão. Desse modo, três elementos se fazem presentes no ato de avaliar: a realidade ou prática julgada, os padrões de referência, que dão origem aos critérios de julgamento, e o juízo de valor.

Através desses elementos, constata-se que a avaliação não é um processo apenas técnico. O educador deve refletir acerca de algumas questões: Quem julga? Por que e para que se julga? Quais os aspectos da realidade que devem ser julgados? Deve-se partir de que critérios? Esses critérios se baseiam em quê? A partir dos resultados do julgamento, quais são os tipos de decisões tomadas?

Como foi dito, a avaliação não é um processo apenas técnico, é um procedimento que inclui opções, escolhas, ideologias, crenças, percepções, posições políticas, vieses e representações, que informam os critérios através dos quais será julgada uma realidade. A avaliação do aproveitamento de alunos, por exemplo, pode basear-se em critérios reduzidos, apenas à memorização de conteúdos, ou pode basear-se em critérios que visem ao crescimento pessoal dos alunos, no que diz respeito as suas atitudes, liderança, conscientização crítica e cidadã. Esses critérios se originam de opiniões acerca do que se entende por educação, e vão direcionar o julgamento de valor acerca do desempenho daqueles alunos.

O Projeto Político-Pedagógico da escola deve ser elaborado coletivamente, e expor a visão acerca da missão da unidade escolar, direcionando os critérios através dos quais as práticas docentes que estão sendo desenvolvidas, sejam avaliadas. A avaliação da aprendizagem não é um julgamento de valor apenas acerca do aluno, mas também acerca da prática docente, que tem como resultado o desempenho do aluno. Segundo Paulo Freire, a avaliação não é um ato pelo qual A avalia B, mas sim um processo pelo qual A e B avaliam uma prática educativa.

Quando um professor dá uma explicação sobre um conteúdo, e no entanto, nos instrumentos de avaliação que ele elabora, propõe exercícios que abordam aspectos e habilidades referentes à matéria que não foram trabalhados, o aluno sente-se "perdido", sem ter um caminho a seguir, uma reflexão que possa fazer acerca daquela matéria.


O educador deve ter uma posição de não neutralidade envolvida na escolha dos critérios para o julgamento de valor e na escolha daquilo que se deseja julgar, a avaliação, como dissemos anteriormente, envolve mais do que uma simples contemplação. Ela requer tomada de decisão. Conforme Luckesi (1996), sendo o juízo satisfatório ou insatisfatório, temos sempre três possibilidades de tomada de decisão: continuar na situação em que nos encontramos, introduzir mudanças para que o objeto ou situação se modifique para melhor ou suprimir a situação ou objeto.

Infelizmente, algumas tomadas de decisão partindo de critérios que limitam o processo educativo a aulas expositivas, de linguagem pouco clara para os educandos, e, que restringem a avaliação a apenas um momento final, partindo de um único instrumento, homogêneo, tendem a optar pela "supressão" do educando direta ou indiretamente, através de sua reprovação.

Desse modo, o educador de hoje, deve repensar acerca dos seus critérios de avaliação, acerca da necessidade de construir políticas e práticas que considerem essa diversidade e que estejam comprometidas com o sucesso e não o fracasso escolar.

Para isso, faz-se necessário um retorno as formas pelas quais a avaliação foi planejada.

A infanticida Maria Farrar - Bertolt Brecht

A infanticida Maria Farrar
Maria Farrar, nascida em abril,
sem sinais particulares,
menor de idade, orfã, raquítica,
ao que parece matou um menino
da maneira que se segue,
sentindo-se sem culpa.
Afirma que grávida de dois meses
no porão da casa de uma dona
tentou abortar com duas injeções
dolorosas, diz ela,
mas sem resultado.
E bebeu pimenta em pó
com álcool, mas o efeito
foi apenas de purgante.
Mas vós, por favor, não deveis
vos indignar.
Toda criatura precisa da ajuda dos outros.
Seu ventre inchara, agora a olhos vistos
e ela própria, criança, ainda crescia.
E lhe veio a tal tonteira no mei do ofício das matinas
e suou também de angústia aos pés do altar.
Mas conservou em segredo o estado em que se achava
até que as dores do parto lhe chegaram.
Então, tinha acontecido também a ela,
assim feiosa, cair em tentação.
Mas vós, por favor, não vos indigneis.
Toda criatura precisa da ajuda dos outros.
Naquele dia, disse, logo pela manhã,
ao lavar as escadas sentiu uma pontada
como se fossem alfinetadas na barriga.
Mas ainda consegue ocultar sua moléstia
e o dia inteirinho, estendendo paninhos,
buscava solução.
Depois lhe vem à mente que tem que dar à luz
e logo sente um aperto no coração.
Chegou em casa tarde.
Mas vós, por favor, não vos indigneis.
Toda criatura precisa da ajuda dos outros.
Chamaram-na enquanto ainda dormia.
Tinha caído neve e havia que varrê-la,
às onze terminou. Um dia bem comprido.
Sòmente à noite pode parir em paz.
E deu à luz, pelo que disse, a um filho
mas ela não era como as outras mães.
Mas vós, por favor, não vos indigneis.
Toda criatura precisa da ajuda dos outros.
Com as últimas forças, ela disse, prosseguindo,
dado que no seu quarto o frio era mortal,
se arrastou até a privada, e ali,
quando não mais se lembra,
pariu como pôde quase ao amanhecer.
Narra que a esta altura estava transtornadíssima,
e meio endurecida e que o garoto, o segurava a custo
pois que nevava dentro da latrina.
Entre o quarto e a privada
o menino prorrompeu em pratos
e isso a perturbou de tal maneira, ela disse,
que se pôs a socá-lo
às cegas, tanto, sem cessar,
até o fim da noite.
E de manhã o escondeu então no lavatório.
Mas vós, por favor, não deveis vos indignar,
toda criatura precisa da ajuda dos outros.
Maria Farrar, nascida em abril,
morta no cárcere de Moissen,
menina-mãe condenada,
quer mostrar a todos o quanto somos frágeis.
Vós que parís em leito confortável
e chamais bendido vosso ventre inchado,
não deveis execrar os fracos e desamparados.
Por obséquio, pois, não vos indigneis.
Toda criatura precisa da ajuda dos outros.
Bertolt Brecht

O Analfabeto Político - Bertolt Brecht

O pior analfabeto é o analfabeto político. Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos. Ele não sabe o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio dependem das decisões políticas.
O analfabeto político é tão burro que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia a política. Não sabe o imbecil que, da sua ignorância política, nasce a prostituta, o menor abandonado, e o pior de todos os bandidos, que é o político vigarista, pilantra, corrupto e lacaio das empresas nacionais e multinacionais.
Bertolt Brecht

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

2º Natal Solidário da Escola Prof. João Mariano da Silva



Acontece no próximo sábado, dia 21 de dezembro de 2013, o 2º Natal Solidário da Escola Prof. João Mariano da Silva.

Todos sabem que a JMS (Escola João Mariano da Silva), está localizada no bairro Taquari, e é uma ótima referencia de aprendizagem do Estado do Acre e motivo de muito orgulho para toda a comunidade por suas ações educacionais, sociais, esportivas e culturais. Ao longo dos anos, com o trabalho realizado por toda uma equipe compromissada com nossos alunos, a escola se transformou numa referência de qualidade de ensino, sendo a melhor escola acreana nas avaliações externas realizadas tanto pela Prefeitura de Rio Branco e o Governo do Acre, quanto pelo Ministério da Educação. Um de seus índices educacionais é o seu IDEB, onde tem a nota 5.7 nos anos finais do Ensino Fundamental, o maior do Acre e um dos maiores da região Norte do Brasil.

Além do trabalho educativo, também realiza atividades culturais, esportivas e sociais. O carro chefe do seu trabalho social é o “Projeto Natal Solidário”, que abrange ações no campo da educação, com o desenvolvimento dentro das salas de aula de atitudes de solidariedade, de respeito e amor ao próximo, aceitação das diferenças, vínculos de afetividade e autoestima. 

Este ano, mais de 350 crianças estarão recebendo presentes “dados” pelo Papai Noel, fora as quase 4 toneladas de alimentos que transformamos em sacolões para serem doados aos pais dos alunos. Estes alimentos foram arrecadados na Gincana Cultural, assim como comprados com o dinheiro que foi arrecadado com atividades durante todo o ano. 

Atualmente a escola é dirigida pela professora Eliete Maia de Andrade, que se dedica dioturnamente para continuar fazendo da JMS a melhor em todos os sentidos.

Portanto, este projeto (Natal Solidário) merece todo nosso apoio.

Parabéns

sábado, 14 de setembro de 2013

Como Estudar



É comum vermos os jovens estudantes o ensino médio tentando fugir de estudar em casa, mas é importante que eles tenham em mente a importância do estudo diário e não só na véspera da prova. O estudo em casa deve ser uma tarefa contínua, porque o conteúdo programático dessa fase da educação é muito extenso e por muitas vezes podem existir dificuldades de aprendizado ou de fixação e memorização.

Para combater este mal, tantas vezes corriqueiro no dia a dia dos adolescentes, é preciso que eles façam a experiência de estudar diariamente por, pelo menos, um mês e verificar se o “sacrifício” compensa ou não. Com empenho vai ser fácil perceber o quanto estudar será fácil, as aulas se tornarão mais interessantes e as provas serão feitas como se fossem exercícios da tarefa de casa.

Como começar

Primeiramente, coloque como meta o ato de não estudar só na véspera da prova e jamais utilizar o período da madrugada para estudar. Além de não haver concentração suficiente nesta hora, o aluno fica com sono e não presta atenção na aula do dia seguinte. O ideal é criar um programa de estudos que acompanhe as suas aulas no colégio. Por exemplo, se durante a manhã você tem aula de Português, História, Geografia e Física então reserve quatro horas do seu dia para revisar o conteúdo dado em sala de aula e resolver exercícios (a única forma de se treinar as disciplinas exatas é resolvendo exercícios).

Mas, atenção! Quatro horas é um tempo suficiente para se dedicar ao estudo em casa (sem contar o tempo que fica na escola), mas se você precisar ficar um pouco mais de tempo para estudar para uma prova, por exemplo, não se esqueça de jamais ultrapassar cinco horas, sob pena de o seu esforço ser em vão. Afinal, o seu cérebro também precisa descansar e depois de certo tempo entra em sobrecarga e o conteúdo literalmente “se esparrama” da sua cabeça, não fica nada. Portanto, sem exageros!

O estudo diário ajuda a prevenir os desesperos de véspera de prova, já que estudando só no último dia você vai adquirir dúvidas que não poderão ser sanadas pelo professor. Mas, se você está com o conteúdo em dia e resolver dar uma revisada um pouco antes da prova, cuidado! As informações lidas por você nesse período poderão criar falsas associações e destruir o trabalho de um mês inteiro! Nesse tempo o melhor é relaxar, manter uma respiração calma e esvaziar a mente para que o conteúdo pedido nas questões flua naturalmente.

E lembre-se que além de estudar é preciso reservar um tempo para o lazer e para praticar exercícios, que ajuda a eliminar a tensão do cotidiano e prepara o corpo para aguentar mais uma maratona de estudo.

quarta-feira, 17 de julho de 2013

O serial killer neoliberal


O sr. Samuel Pessoa, neoliberal que escreveu o programa econômico de Serra em alguma das eleições que este perdeu, descobriu uma forma genial de aumentar o investimento público: cortar as pensões por morte. Como todo neoliberal, Pessoa é dono de uma consultoria. Esperemos que ele não esteja aconselhando seus clientes a matarem as viúvas e os órfãos menores de idade (ou inválidos) – pois são estes que recebem as pensões por morte.
O caso é tão curioso e tão relevante para os destinos da Pátria, que temos de sumariá-lo. O problema, diz o sujeito, é que ninguém quer reduzir os salários. Assim, ele foi obrigado a encontrar alternativas. Naturalmente, não pensou em tocar no superávit primário e nos juros, que comem R$ 230 bilhões, em média, por ano, do Orçamento público. Não, leitor, o Pessoa não incorreria em tal falta de disciplina fiscal. O dinheiro dado aos bancos estrangeiros, como todo mundo sabe, é o que garante que o país não consuma o Orçamento em cachaça ou equivalentes – por exemplo, creches, moradias, metrôs, unidades de Saúde, escolas ou universidades, para não falar na cachaça propriamente dita, isto é, nos aumentos de salários.
Assim, felizmente, ele achou as viúvas e os órfãos, esses parasitas. Logo, se eles também morrerem (de fome), vai ser uma beleza para o investimento público. Não é lógico? Vamos transcrever, para que ninguém pense que estamos inventando:
Em alguns casos (…), como as pensões por morte, o despropósito dos benefícios é tão evidente que talvez seja menos difícil enfrentar a luta para reduzi-los [do que reduzir os salários]. Aliás, isso se aplica também ao setor privado. Na verdade, um dos exemplos mais contundentes de por que o consumo do governo é tão elevado no Brasil é justamente o programa de pensão por morte do funcionalismo. Mas o mesmo também pode ser dito do gasto do setor público com as pensões por morte do setor privado. Nesse caso, não se trata de consumo do governo, mas de transferências. De qualquer forma, tudo faz parte da despesa do Estado. O Brasil gasta com pensão por morte, no setor público e no privado, cerca de 3% do PIB. (…) Temos, consequentemente, excesso de gasto nessa rubrica (…). Se, portanto, gastássemos o normal (…) na rubrica pensão por morte, haveria recursos para dobrar o investimento público”.
Jonathan Swift sugeriu, em 1729, que o problema das crianças que passavam fome na Irlanda fosse resolvido por torná-las alimento, pois, “garantiu-me um americano muito sábio, conhecido meu em Londres, que uma criança jovem e saudável, bem alimentada, com um ano de idade, é o mais delicioso alimento, mais nutricional e completo – seja estufada, grelhada, assada ou cozida. E não tenho qualquer dúvida de que poderá igualmente ser servida como fricassé ou num “ragout””.
Menos produtivo, o neoliberal serrista sugere que elas morram (e mais as viúvas) para aumentar o investimento público – provavelmente, o investimento público nos cemitérios.
Por sinal, dizer que o gasto com pensão por morte é 3% do PIB, apenas omite que o PIB não cresce devido, precisamente, aos matadores de velhinhas e crianças da área econômica. Quando o PIB não cresce, é evidente que as despesas parecem altas quando traduzidas em percentagem do PIB. Mas o problema não está nas despesas, e, sim, na falta de crescimento. Nada deixa tão claro quem são esses vigaristas, quanto o fato de que as pensões por mortes são apenas a consequência das pessoas morrerem. O neoliberal não sugeriu uma forma de tornar as pessoas imortais (entrar na Academia Brasileira de Letras, já dizia Grieco, é virar candidato a cadáver...); no entanto, acha um absurdo as pensões por morte.
O leitor pode pensar: será que essa besta não sabe que os trabalhadores pagam para que os familiares daqueles que morrem recebam pensão - aliás, em geral pequena?
Claro que ele sabe disso, leitor. Mas ser ladrão é a verdadeira natureza do neoliberal. O que ele arrumou, com esse genocídio de viúvas e órfãos, foi uma forma de roubar os trabalhadores – e enfiar mais dinheiro no superávit primário, ou seja, nos juros. Nem no dia do juízo final vai aparecer algum neoliberal preocupado, realmente, com o investimento...
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terça-feira, 9 de julho de 2013

Barbosa, cofres públicos, seu filho, Huck e Valério

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa, usou recursos da Corte para se deslocar ao Rio de Janeiro no final de semana de 2 de junho, quando assistiu ao jogo Brasil e Inglaterra no estádio do Maracanã. A explicação dada pelo STF, de que a viagem foi paga com a cota que os ministros têm direito, não convenceu a opinião pública. Não havia nenhuma agenda oficial no Rio de Janeiro para o ministro a não ser o jogo.
E, pior, Barbosa assistiu ao jogo em companhia do apresentador da Globo, Luciano Huck, que acaba de contratar o filho do ministro, Felipe Barbosa, para trabalhar na emissora dos Marinhos. A TV Globo inicialmente negou que o filho de Barbosa fosse funcionário da empresa, mas foi obrigada a admitir em seguida que Felipe realmente foi contratado pela produção do programa de Luciano Huck na emissora.
A situação piorou ainda mais para Joaquim Barbosa quando veio à tona a notícia que ele, ministro, já tinha analisado processo envolvendo o pai de Huck. Está em tramitação no STF uma reclamação do Carrefour contra a empresa Verparinvest, que tem como um de seus advogados Hermes Huck, pai de Luciano Huck. O caso esteve com ministro Joaquim Barbosa. Tão preocupado em fabricar uma imagem de paladino da moralidade, o presidente do STF não foi tão rigoroso assim nas suas estranhas relações com o apresentador da Globo.
Já não bastasse a informação, divulgada recentemente, de que o ministro Barbosa teria gasto R$ 90 mil reais para reformar o banheiro de sua residência em Brasília, aparece agora mais outra informação tão escandalosa quanto essa, e que merece muita explicação por parte do ministro. Crítico dos gastos do Judiciário, ele recebeu R$ 414 mil do Ministério Público Federal por conta de controverso bônus salarial criado nos anos 90 para compensar, em diversas categorias, o auxílio-moradia concedido a deputados e senadores. A chamada Parcela Autônoma de Equivalência (PAE) foi repassada para 604 membros do Ministério Público Federal, incluindo Barbosa. O pagamento consumiu dos cofres públicos R$ 150 milhões.
Mas, as denúncias, que alguém ironicamente apontou como o "abate do Batman em pleno vôo", numa alusão à capa preta usada pelo ministro durante o julgamento de exceção conduzida por ele no STF, não param por aí. Seu filho, Felipe, antes de começar a trabalhar com Luciano Huck, prestava serviços a uma empresa acusada de receber R$ 2,5 milhões de Marcos Valério. O grupo Tom Brasil contratou Felipe Barbosa para assessor de Imprensa na casa de shows Vivo Rio, em 2010.
A Tom Brasil é investigada no inquérito 2474/STF, derivado do chamado "mensalão", e o relator é seu pai Joaquim Barbosa. Este inquérito, aberto para investigar fontes de financiamento do chamado "mensalão", identificou pagamento da DNA propaganda, de Marcos Valério, para a Casa Tom Brasil, com recursos da Visanet, no valor de R$ 2,5 milhões. E quem autorizou este pagamento foi Cláudio de Castro Vasconcelos, gerente-executivo de Propaganda e Marketing do Banco do Brasil, desde o governo FHC. Estranhamente não foi denunciado na AP-470 junto com Henrique Pizzolato.
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