segunda-feira, 4 de junho de 2012

Viagem de Gilmar e Demóstenes pela Europa ainda é um enigma

E acha normal carona em avião agenciado por bicheiro


O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, procurou na terça-feira alguns jornalistas da Assessoria de Imprensa do STF para dar explicações sobre sua viagem à Berlim junto com Demóstenes Torres, hoje sabidamente um integrante da quadrilha do contraventor Carlinhos Cachoeira. Trechos dos documentos da Operação Monte Carlo, da Polícia Federal, mostram Cachoeira e o ex-vereador de Goiânia, Wladimir Garcez, arranjando, a pedido de Demóstenes, um avião em 23 de abril de 2011 para transportar o senador e um homem chamado “Gilmar” que viajava com ele, vindos de Berlim. Ao lado da transcrição da conversa onde era mencionado o “Gilmar”, a PF interroga: “Mendes?”
Indagado pelos repórteres sobre as notícias de que ele teria viajado num jato providenciado por Cachoeira e seus cúmplices, Gilmar ficou muito nervoso e sacou vários papéis que já estavam em seus bolsos para tentar provar que sua viagem a Berlim tinha sido “oficial”. A certa altura ele se traiu e deixou escapar: “Vamos dizer que o Demóstenes me oferecesse uma carona num avião, se ele tivesse. Teria algo de anormal?”. A nós resta indagar: como assim excelência? Um bandido, chefe de quadrilha, providencia um avião para duas autoridades da República e o digno “magistrado” acha isso normal? Com tudo o que se sabe hoje - e Gilmar Mendes também sabe - sobre os crimes cometidos por Cachoeira/Demóstenes e sua quadrilha, como um membro do STF pode achar que não há problema em aceitar uma carona num avião arranjado por eles?
A pergunta, inclusive, não tinha sido se a viagem era oficial ou não. A viagem oficial existiu e foi aquela feita até Granada, na Espanha, onde Gilmar iria participar de um ato em homenagem a uma personalidade européia, e a volta de lá para o Brasil. Mas, a ida para Praga para se encontrar com Demóstenes e a viagem dos dois juntos, de trem, para Berlim, bem como a volta de Berlim para o Brasil, não eram oficiais. Permanece, portanto, até hoje um mistério sem explicação. Qual o motivo do encontro dos dois em Praga, na República Tcheca. E também por que a viagem de trem para Berlim? Qual o motivo deste encontro? Essas perguntas ainda não foram respondidas por Gilmar em suas seguidas entrevistas. Ele agrediu o ex-presidente Lula, o ex-presidente do STF, Nelson Jobim, e outros, mas não explicou nada. O Brasil quer saber mais detalhes sobre este misterioso encontro em Praga. É preciso que ele pare de ofender os outros e se explique para o país.
E, além do mais, convenhamos, com essa declaração de “sua excelência”, dizendo que não vê problema nenhum em usar um avião arranjado por Cachoeira, não há mais muita relevância em saber se a sua viagem de São Paulo à Brasília foi feita ou não no avião da quadrilha. Até porque Gilmar confessa que já fez outras duas viagens de avião à Goiânia, arranjadas por Demóstenes. E, que se saiba, Demóstenes não tem avião. Nessas viagens, Gilmar nem “sabe” quem foi que “forneceu” os aviões. Ele apenas pegou carona. E indaga aos repórteres se, ao pegar carona no avião arranjado por Demóstenes, isso significaria que ele estaria se associando aos seus “malfeitos?”. Ora. Com o que se sabe hoje sobre o gangsterismo de Cachoeira e Demóstenes, é evidente que sim. Mas Gilmar acha natural andar em avião de bandido e com bandidos.
Esse nervosismo todo e os ataques ao ex-presidente Lula e a Nelson Jobim mostram que Gilmar Mendes está muito preocupado com as revelações que vinham sendo feitas sobre a sua viagem à Alemanha. E mais ainda com as que poderão ainda ser feitas pela Polícia Federal. Afinal, sabe-se que faltam milhares de gravações ainda não estudadas pela PF e nem pela CPMI em curso.
Ele saiu acusando o ex-presidente da República de estar mal informado e de estar sendo “abastecido por bandidos e gângsteres”. Mas, tirando a cena, não parece ser por acaso que Gilmar vem falando tanto em bandidos e gângsteres. Quando era presidente do STF, ele se cercou do agente Jairo Martins para assessorá-lo informalmente no órgão. Jairo Martins era, então, e é até hoje, um bandido que ocupa a posição de braço direito do mafioso Carlos Cachoeira. Atualmente o “agente” contratado por Gilmar encontra-se preso junto com seu chefe, acusados, entre outras coisas, de formação de quadrilha. Esse tipo de gângster trabalhou para Gilmar Mendes.
Coincidentemente foi nessa época que surgiu a história do grampo sem áudio - que a desmoralizada revista Veja denunciou - que teria captado uma conversa entre Demóstenes e Gilmar Mendes. Essa farsa do grampo, que acabou derrubando o chefe da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), delegado Paulo Lacerda, nunca foi esclarecida. Investigação da PF e da Abin concluíram pela inexistência do tal grampo. E os dois (Gilmar e Demóstenes) tentaram na época desestabilizar o governo Lula por conta dessa história ridícula. Depois, desmoralizada a farsa do grampo, Gilmar se saiu com essa: “Se a história não era verdadeira, era extremamente verossímil diante de todo aquele quadro” (Folha/UOL 24/03/2009).
Gilmar tem também uma enteada contratada - a seu pedido - no gabinete de quadrilheiro Demóstenes Torres. E, como todos se lembram, foi o próprio Gilmar Mendes que, em menos de 24 horas, deu dois habeas corpus para soltar o banqueiro mafioso, Daniel Dantas, preso na Operação Satiagraha da Polícia Federal.
SÉRGIO CRUZ
www.horadopovo.com.br 

Gilmar não passa no detector de mentiras, informa o UOL

De acordo com o portal UOL, do grupo Folha, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, mentiu na entrevista que concedeu ao Jornal Nacional da TV Globo, na noite de segunda-feira (28) em que atacou e fez acusações a Lula, dizendo que “inferiu” que o ex-presidente da República o tinha pressionado para não julgar a farsa do “mensalão”.
O UOL noticiou discretamente na terça-feira (29), em nota publicada às 18h14, que um teste de voz aplicado pelo perito Mauro Nadvorny, diretor-presidente da Truster Brasil, empresa especializada em análise de voz, detectou trechos “fraudulentos e suspeitos” na entrevista de Gilmar Mendes.
“Na análise de um total de 3 minutos de trechos da entrevista, foram detectadas 11 ocorrências de alto risco, cinco de provável risco e duas de baixo risco”, disse o perito. Nadvorny explicou que “alto risco é uma maneira de dizer que a pessoa está mentindo”.
A empresa de Nadvorny produz a tecnologia que detecta sinais de tensão, estresse, medo, embaraço e excitação em arquivos de voz, ou seja, um detector de mentiras.

terça-feira, 29 de maio de 2012

ENEM

Inscrições para a edição de 2012 estarão abertas até o dia 15 de junho


Os candidatos a vagas na educação superior pública têm prazo até as 23h59 de 15 de junho próximo para fazer a inscrição na edição de 2012 do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Feita apenas pela internet, a inscrição será confirmada após o pagamento da taxa, de R$ 35, até 20 de junho, por meio de guia de recolhimento da União (GRU) simples.

Aluno de escola pública que esteja concluindo o ensino médio e se declarar integrante de família de baixa renda está liberado do pagamento. O pedido de isenção deve ser feito no momento da inscrição, também pela internet.

As provas serão aplicadas em 3 e 4 de novembro, em todas as unidades da Federação, a partir das 13 horas (de Brasília). No primeiro dia, sábado, serão realizadas as provas de ciências humanas e suas tecnologias e ciências da natureza e suas tecnologias, com duração de quatro horas e meia. No domingo, os estudantes terão cinco horas e meia para fazer as de matemática e suas tecnologias; linguagens, códigos e suas tecnologias e a redação.

A divulgação do gabarito oficial, como estabelece o edital, está prevista para 7 de novembro. O resultado final do exame estará disponível para os estudantes a partir de 28 de dezembro.

Na página do Enem na internet o candidato pode fazer a inscrição e seguir, passo a passo, todo o procedimento e o calendário relativos ao exame.

Assessoria de Comunicação Social

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Inscrições para o exame começam nesta segunda

Enem


  Estudantes interessados em participar da edição 2012 do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) poderão se inscrever no programa a partir das 10h da próxima segunda-feira, 28, até as 23h59 de 15 de junho, no horário oficial de Brasília. O cronograma do exame, que no ano passado teve 5,4 milhões de inscritos, foi anunciado pelo ministro da Educação, Aloizio Mercadante, em entrevista coletiva realizada na tarde desta quinta-feira, 24. O edital para o exame será publicado no Diário Oficial da União nesta sexta-feira, 25.

As inscrições para o exame custam R$ 35,00 e devem ser pagas até o dia 20 de junho, por meio de guia de recolhimento da União (GRU) simples, gerado no ato de inscrição. Caso contrário, a inscrição não será confirmada.

São isentos da taxa de inscrição alunos de escolas públicas que estejam concluindo o ensino médio em 2012. Para isso, sua escola deve estar cadastrada no censo escolar da educação básica e ele deve informá-la no ato da inscrição. Também estão isentos de pagamento aqueles que declararem carência socioeconômica (membros de família de baixa renda) ou estiverem em situação de vulnerabilidade socioeconômica. O pedido de isenção do pagamento da taxa somente poderá ser feito por meio do sistema de inscrição.

A nota do Enem pode ser utilizada para o ingresso do participante em universidades públicas, por meio do Sistema de Seleção Unificado (Sisu). Também servirá para que o estudante se beneficie do Programa Universidade para Todos (ProUni), obtenha o Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) ou participe do programa Ciência Sem Fronteiras. Além disso, os participantes maiores de 18 anos que ainda não terminaram a escolarização básica podem participar do Enem e pleitear a certificação no ensino médio junto a uma das instituições que aderirem ao processo – secretarias estaduais de educação, os institutos federais e os centros federais. A lista das instituições certificadoras está no edital do Enem 2012.

Para o ministro da Educação, o exame é uma importante peça na política educacional brasileira.  “O Enem é peça estruturante do sistema de ensino superior do Brasil, porque na realidade ele é o grande instrumento de avaliação do mérito e desempenho dos alunos", disse. Mercadante destacou que um dos focos do Ministério da Educação é quanto à lisura do exame. A segurança do Enem passou de 1.200 itens para 3.439 itens.

Entre as mudanças para a edição 2012, estão a correção da redação, que passa a ter mais mecanismos de controle, e a nota mínima para certificação de conclusão de ensino médio, que passa de 400 para 450 pontos em cada área do conhecimento. Na redação está mantido o mínimo de 500 pontos.

Em 2011, o Enem envolveu mais de 400 mil pessoas em sua realização e as provas foram aplicadas em 140 mil salas de aula. Este ano a logística de distribuição das provas, que ficará a cargo dos correios, terá 9.728 rotas. O Enem é o segundo maior exame do gênero, atrás apenas do realizado na China.

As provas serão aplicadas nos dias 3 e 4 de novembro, em todas as unidades da federação, a partir das 13 horas, no horário de Brasília. No primeiro dia, sábado, serão realizadas as provas de ciências humanas e suas tecnologias e ciências da natureza e suas tecnologias, com duração de quatro horas e meia. No domingo, os estudantes terão cinco horas e meia para fazer as provas de matemática e suas tecnologias; linguagens, códigos e suas tecnologias e redação. O gabarito está previsto para o dia 7. O resultado final do exame estará disponível para os estudantes no dia 28 de dezembro.

Histórico – O Enem está inserido no conjunto de ações que pretendem melhorar o acesso e a permanência do estudante e a qualificação da educação superior brasileira. O exame foi criado em 1998 para avaliar o desempenho do estudante ao fim da escolaridade básica.

Em 2008, o Ministério da Educação propôs a utilização do Enem como instrumento para democratizar as oportunidades de acesso às vagas federais de ensino superior, possibilitar a mobilidade acadêmica e induzir a reestruturação dos currículos do ensino médio.

Desde 2009, o Enem tem se fortalecido como uma prova de acesso às instituições de ensino superior, tanto públicas quanto privadas. Além disso, o Enem continua a ser critério de seleção de bolsas de estudo no Programa Universidade para Todos (ProUni) e no Fundo de Financiamento Estudantil (Fies). O Enem ainda promove a certificação de jovens e adultos no ensino médio.

Assessoria de Comunicação Social


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sábado, 4 de fevereiro de 2012

Ministério distribuirá tablets a professores do ensino médio

 

O ministro Mercadante destacou que a escola tem de acompanhar o processo de evolução da sociedade do conhecimento: “É muito importante que a gente construa uma estratégia sólida para que a escola possa preparar essa nova geração para o uso de tecnologias da informação” (foto Fabiana Carvalho)O Ministério da Educação vai investir cerca de R$ 150 milhões neste ano para a compra de 600 mil tablets para uso dos professores do ensino médio de escolas públicas federais, estaduais e municipais. De acordo com o ministro da Educação, Aloizio Mercadante, os equipamentos serão doados às escolas e entregues no segundo semestre.

O objetivo do projeto Educação Digital – Política para computadores interativos e tablets, anunciado pelo ministro Mercadante nesta quinta-feira, 2, é oferecer instrumentos e formação aos professores e gestores das escolas públicas para o uso intensivo das tecnologias de informação e comunicação (TICs) no processo de ensino e aprendizagem.

Para o ministro, o mundo evolui em direção a uma sociedade do conhecimento e a escola tem que acompanhar esse processo. “É muito importante que a gente construa uma estratégia sólida para que a escola possa formar, preparar essa nova geração para o uso de tecnologias da informação”, disse. Segundo o ministro, esse é um processo e o governo federal quer acelerar, sem atropelos. “É evidente que a tecnologia não é um objetivo em si, nada substitui a relação professor-aluno.”

A tecnologia, afirmou, vai ser tão mais eficiente quanto maiores forem os cuidados pedagógicos e quanto maior for o envolvimento dos professores no processo. “Estamos definindo que, na educação, a inclusão digital começa pelo professor.”

O projeto compreende o computador interativo - equipamento desenvolvido pelo MEC, que reúne projeção, computador, microfone, DVD, lousa e acesso à internet, e o tablet. Os computadores interativos já foram distribuídos para as escolas do ensino médio e no segundo semestre chegam os tablets. Esses tablets serão nos modelos de 7 ou 10 polegadas, bateria com duração de 6 horas, colorido, peso abaixo de 700 gramas, tela multitoque, câmera e microfone para trabalho multimídia, saída de vídeo, conteúdos pré-instalados, entre outras características.

Aos computadores serão integradas as lousas eletrônicas, compostas de caneta e receptor. Acopladas ao computador interativo (equipamento com computador e projetor, ofertado pelo MEC aos estados e municípios), permitirão ao professor trabalhar os conteúdos disponíveis em uma parede ou quadro rígido, sem a necessidade de manuseio do teclado ou do computador.

Além de enviar equipamentos, o MEC oferece cursos de formação aos professores. Segundo Mercadante, mais de 300 mil professores já fizeram o curso do ProInfo, e agora os 600 mil que lecionam no ensino médio terão à disposição um curso de 360 horas para trabalhar com as novas mídias. A qualificação será feita pela rede de formadores do ProInfo, que já trabalha com especialistas de universidades públicas.

Fundamental
- Pelo cronograma do projeto Educação Digital, assim que for concluída a entrega de tablets para as escolas do ensino médio, terá início a distribuição para os estabelecimentos do ensino fundamental que oferecem os anos finais e a seguir para os anos iniciais. Foram pré-requisitos para definir por onde começar a distribuição de tablets: ser escola urbana de ensino médio, ter internet banda larga, laboratório do Programa Nacional de Tecnologia Educacional (ProInfo) e rede sem fio (wi-fi).

Conforme o ministro da Educação, com a entrega de novas tecnologias da informação, professores e escolas públicas vão poder combinar esses instrumentos com as demais mídias. Ele citou o Portal do Professor, que é um dos espaços mais consultados pela categoria e que ainda pode e deve ser ampliado. Hoje, disse, estão disponíveis no portal 15 mil aulas criadas por educadores e aprovadas por um comitê editorial do MEC. Mercadante anunciou que vai lançar editais e constituir um comitê nacional para selecionar e recomendar as melhores aulas que estarão disponíveis para todos os professores.

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

CONSTRUINDO UMA ESCOLA EFICAZ

Amigos pais, mães e todos os responsáveis direta ou indiretamente pela educação dos nossos queridos alunos.

Dia 8 de dezembro de 2011, próxima quinta-feira, estará acontecendo à eleição para escolha do próximo diretor da Escola Prof. João Mariano da Silva.
Sabe-se que uma escola, para ser eficaz, a influência da pessoa do diretor é decisiva, pois é ele quem determina o clima emocional e intelectual da escola. Dedicar tempo, presença e dar exemplo, preocupar-se com o ensino e tratar a todos com respeito, dentro e fora da escola, além de abrir a escola para a comunidade, são deveres do diretor.
Todos nós sabemos o quanto a Escola João Mariano melhorou nos últimos oito anos. Somos reconhecidos pelo Ministério da Educação e pela Secretaria de Educação como uma das melhores escolas do Acre, tendo um dos maiores IDEB’s. Tenho muito orgulho de fazer parte da equipe que conquistou isso.
Como coordenadora de ensino, todos sabem, contribuí muito para a JMS chegar ao patamar de qualidade de ensino e organização que se encontra. Sou a professora Eliete e com o apoio do diretor Wilson, coloco meu nome como candidata a diretora. Sei que a tarefa será árdua e difícil, pois quero dar continuidade ao trabalho que tem dado certo, que o atual diretor fez e faz, mas quero também fazer muito mais. Aprendi muito com ele. Compartilho da sua ideia de que o principal na escola tem que ser o aprendizado dos alunos. Sendo diretora, quero ampliar as parcerias com as igrejas, com a associação de moradores, os grupos de jovens, etc. Irei ampliar o trabalho coletivo, ouvindo e respeitando as ideias das pessoas.
Como diretora quero assumir esse compromisso, aliada à participação de todos.
Conto com seu apoio.

Eliete Maia
candidata a diretora

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

O REI ESTÁ NU, PELADO E EU SOU DOIDO

Hans Christian Andersen foi um dinamarquês que gostava de contar histórias para grandes e pequenos. Todos conhecem a história do Patinho Feio. Imagino que ele a inventou para consolar um menino feio, sem amigos, motivo de zombaria. Contou também a história de uma menininha que, numa véspera de Natal, a neve caindo, tentava vender fósforos numa esquina da cidade. Ninguém parava. Ninguém comprava. Todos caminhavam apressados para suas casas onde havia uma lareira acesa, o vinho, a ceia e os presentes os esperavam. Todos queriam celebrar o nascimento de Jesus. É uma história triste. De manhã a menininha estava morta na calçada, gelada pelo frio. 
Algumas das histórias de Hans Christian Andersen estão cheias de humor e ironia, como aquela do rei vaidoso que gostava de se vestir elegantemente.  Vou recontar esta história com dois finais: o dele e o meu.
“Havia um rei muito tolo que adorava roupas bonitas. Os tolos, geralmente, gostam de roupas bonitas. Pois esse rei enviava emissários por todo o país com a missão de comprar roupas diferentes. Era o melhor cliente da Daslu. Os seus guarda-roupas estavam entulhados com ternos, sapatos, gravatas de todas as cores e estilos. Eram tantas as suas roupas que ele estava muito triste porque seus emissários já não encontravam novidades.
Dois espertalhões ouviram falar do gosto do rei pelas roupas e  viram nisso uma oportunidade de se enriquecerem às custas da vaidade da Majestade. A vaidade torna bobas as pessoas: elas passam a acreditar nos elogios dos bajuladores... Foi isso que aconteceu com um corvo vaidoso que estava pousado no galho de uma árvore com um queijo na boca: por acreditar nos elogios da raposa ficou sem queijo...
Pois os dois espertalhões-raposa foram até o palácio real e anunciaram-se na portaria, apresentando o seu cartão de visitas: “Doutor Severino e Doutor Valério, especialistas em tecidos mágicos.” 
O rei já havia ouvido falar de tecidos de todos os tipos mas nunca ouvira falar de tecidos mágicos. Ficou curioso. Ordenou que os dois fossem trazidos à sua presença. Diante do rei fizeram uma profunda barretada, tirando seus chapéus.
“Falem-me sobre o tecido mágico”,  ordenou o rei.
Um dos espertalhões, o mais loquaz, se pôs a falar.
“Majestade, diferente de todos os tecidos comuns, o tecido que nós tecemos é mágico porque somente as pessoas inteligentes podem vê-lo. Vestindo um terno feito com esse tecido Vossa Majestade será cercado apenas por pessoas inteligentes, pois somente elas o verão...”
O rei ficou encantado e imediatamente contratou os dois espertalhões, oferecendo-lhes um amplo aposento onde poderiam montar os seus teares e e tecer o tecido que só os inteligentes poderiam ver..
Passados alguns dias o rei mandou chamar o ministro da educação e ordenou-lhe que fosse examinar o tecido.  O ministro dirigiu-se ao aposento onde os tecelões estavam trabalhando.
“Veja, excelência, a beleza do tecido”, disseram eles com a mãos estendidas. O ministro da educação não viu coisa alguma e entrou em pânico. “Meu Deus, eu não vejo o tecido, logo  sou burro...” Resolveu, então, fazer de contas que era inteligente e começou a elogiar o tecido como sendo o mais belo que havia visto.
“Majestade”, relatou o minsitro da educação ao rei, “o tecido é incomparável, maravilhoso. De fato os tecelões são verdadeiras magos!” O rei ficou muito feliz.
Passados mais dois dias ele convocou o ministro da guerra e ordenou-lhe que examinasse o tecido. Aconteceu a mesma coisa. Ele não viu coisa alguma. “ Meu Deus”, ele disse, “ não sou inteligente. O ministro da educação viu e eu não estou vendo...” Resolveu adotar a mesma tática do ministro da educação e fez de contas que estava vendo. O rei ficou muito feliz com a seu relatório. E assim aconteceu com todos os outros ministros. Até que o rei resolveu pessoalmente ver o tecido maravilhoso. Mas, como os ministros, ele não viu coisa alguma porque nada havia para ser visto. Aí ele pensou:  “Os ministros da educação, da guerra, das finanças, da cultura, das comunicações viram. São inteligentes. Mas eu não vejo nada! Sou burro. Não posso deixar que eles saibam da minha burrice porque pode ser que tal conhecimento venha a desestabilizar o meu governo...” O rei, então, entregou-se a elogios entusiasmados ao tecido que não havia.
O cerimonial do palácio determinou então que deveria haver uma grande festa para que todos vissem o rei em suas novas roupas. E todos ficaram sabendo que somente os inteligentes as veriam. A mídia, televisão e jornais, convidaram todos os cidadãos inteligentes a que comparecessem à solenidade.
No Dia da Pátria, a cidade engalanada, bandeiras por todos os lados, bandas de música, as ruas cheias, tocaram os clarins e ouviu-se uma voz pelos alto-falantes:
“Cidadãos do nosso país! Dentro de poucos instantes a sua inteligência será colocada à prova. O rei vai desfilar usando a roupa que só os inteligentes podem ver.”
Canhões dispararam uma salva de seis tiros. Ruflaram os tambores. Abriram-se os portões do palácio e o rei marchou vestido com a sua roupa nova.
Foi aquele oh! de espanto. Todos ficaram maravilhados. Como era linda a roupa do rei! Todos eram inteligentes.
No alto de uma árvore estava encarapitado um menino a quem não haviam explicado as propriedades mágicas da roupa do rei. Ele olhou, não viu roupa nenhuma, viu o rei pelado exibindo sua enorme barriga,  suas nádegas murchas  e  vergonhas dependuradas. Ficou horrorizado e não se conteve. Deu um grito que a multidão inteira ouviu:
“O rei está pelado!”
Foi aquele espanto. Um silêncio profundo. E uma gargalhada mais ruidosa que a salva de artilharia. Todos gritavam enquanto riam: “ O rei está nu, o rei está nu...”
O rei tratou de tapar as vergonhas com as mãos e voltou correndo para dentro do palácio.
Quanto aos espertalhões, já estavam longe e haviam transferido os milhões que haviam ganho para um paraíso fiscal...”
Não foi bem assim que Hans Christian Andersen contou a história. Eu introduzi uns floreados para torná-la mais atual. Agora vou contar a mesma história com um fim diferente. Ela é em tudo igual à versão de Andersen, até o momento do grito do menino.
“O rei está pelado!
Foi aquele espanto. Um silêncio profundo. Seguido pelo grito enfurecido da multidão.
Menino louco! Menino burro! Não vê a roupa nova do rei! Está querendo desestabilizar o governo! É  um subversivo, a serviço das elites!”
Com estas palavras agarraram o menino, colocaram-no numa camisa de força  e o internaram num manicômio.
Moral da história: Em terra de cego quem tem um olho não é rei. É doido.